quinta-feira, 3 de abril de 2014

BC vai avaliar se pressão de preços é temporária

O comunicado com que o Copom informou a alta da taxa básica Selic em 0,25 ponto percentual, para 11% ao ano, trouxe um tom menos propenso à continuidade do aperto monetário que o esperado pelo economista do Barclays para a América Latina, Marcelo Salomon. "Minha leitura é que o BC vai avaliar se a pressão inflacionária [dos preços dos alimentos] é realmente temporária", diz Salomon, que não espera nova elevação da Selic na reunião de maio.

"Antes da reunião, minha projeção era de que o BC não sobe a taxa em maio. Vou mantê-la", disse o economista. Leia os principais trechos da entrevista.
Valor: Qual a interpretação do senhor para o comunicado do Copom do Banco Central?
Marcelo Salomon: O comunicado foi mais "dovish" [menos inclinado à continuidade do aperto] do que eu estava esperando. Achava que o Copom manteria a mesma mensagem do encontro de janeiro, de que estava dando prosseguimento ao processo. Mas o BC trouxe uma mensagem diferente, de que vai monitorar o cenário para então definir os próximos passos. A volta da expressão "neste momento" também é um sinal dovish. Minha leitura do comunicado, em conjunto com o Relatório de Inflação, com indicação de aceleração inflacionária no curtíssimo prazo, é que o BC vai avaliar nos próximos 45 dias se essa pressão inflacionária é realmente temporária. Vai ser crucial monitorar os preços dos alimentos. Dentro do cenário mais dovish do comunicado, se esses preços começam a ceder, o BC pode parar. Antes da reunião, minha projeção era de que ele não sobe a taxa em maio. Vou mantê-la. Vamos ver a ata [do Copom] para ver a ênfase que o BC vai dar a esses condicionantes que vão monitorar, que são sempre atividade e inflação. Mas hoje acho que o principal é a inflação.
Valor: Qual será o impacto da decisão do Copom sobre as expectativas inflacionárias?
Salomon: As expectativas são formadas muito com o olho na inflação corrente. Se a inflação acelerar, as expectativas vão subir novamente. Eu acho que esse tom mais dovish do comunicado não leva diretamente a uma elevação das expectativas. Acho que não vai haver alteração no curto prazo, que as expectativas vão ficar mais ou menos paradas perto do nível atual.
Valor: Com a decisão de ontem, o atual processo de aperto monetário já soma 3,75 pontos percentuais. É suficiente para por a inflação em trajetória declinante?
Salomon: Não veremos isso [inflação em trajetória declinante] neste ano. Possivelmente possamos ver em 2015. Depende muito dos preços administrados. A inflação brasileira vai ficar pressionada no médio prazo por esses preços. O BC vai ter que saber trabalhar muito essa relação entre preços livres e administrados para assegurar uma desaceleração dos índices de inflação. De alguma forma, vai ser preciso uma desaceleração dos preços livres, porque os administrados vão ter que subir.
Valor: Faz sentido interromper o processo de aperto monetário em maio sem garantir que a inflação esteja em trajetória declinante? Ainda veremos efeitos defasados desse ciclo de alta?
Salomon: É o que o BC vem dizendo. Ele quer ver quais são os efeitos da política que ele já implementou. A economia está desacelerando, a demanda domestica está desacelerando. Não vai entrar em uma recessão como muitos temiam no início do ano, mas perdeu força. Essa é hoje o grande dilema para a política monetária. Olhando para a frente, com essa questão dos preços administrados, o BC vai ter que subir os juros em 2015. Mesmo que não tenha parado hoje [ontem] o processo, vai ter que subir. Porque o que vai ser dado a mais de alta da Selic não será suficiente para trazer a inflação para baixo de 6% ao ano. Meu cenário é que o BC interrompe o aperto agora e a inflação fica em 6% neste ano. O BC retoma o processo no início do ano que vem com mais um ciclo de 100 pontos [1 ponto percentual] e a inflação fica perto de 5,5% em 2015.


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INCOTERMS 2010 E SEU DESCONHECIMENTO

Olá pessoal...

Estava eu zapeando pelo site da aduaneiras e encontrei com o título acima" INCOTERMS 2010 E SEU DESCONHECIMENTO" e parei para refletir..

Quantas vezes já pensei isso: "Como pode ser profissional de comércio exterior e não saber o que é EXW? Não conseguir diferenciar um FOB de um CIF? Não saber a diferença de DDP e DDU?! Não saber a diferença de comprovante de exportação e CE mercante?

Pois bem, já passei várias situações complicadas com profissionais de grandes agentes de carga, despachantes etc que não sabiam o que estavam fazendo..

Isso sem contar aqueles que debatem , discutem...

Por exemplo, o comprovante de exportação.. É um documento não obrigatório, mas que a qualquer momento pode ser solicitado pelo exportador para compor o processo. O despachante tem que emitir se o exportador solicitar e a emissão é tão simples quanto tomar um café.

PS: Eu acho imprescindível este documento, é o resumão do processo, tem data de embarque, completinho... e em uma fiscalização ele apresenta as informações bem claramente e facilmente ao fiscal.

Entretanto, vários, muitos, diversos... diria que 70% dos meus contatos quando eu faço a tal solicitação do comprovante de exportação me dizem NÃO, este documento não é mais emitido. E não falamos somente dos assistentes ou analistas.... falo dos supervisores , coordenadores e gerentes que batem o pé que "ISSO NO EXISTE"....

Heim?!

Ai, pacientemente explico, é sim... só não é obrigatório! Mas vc pode emiti-lo. E a negativa volta mais cheia de razão ainda...

Aiiii... pentelhita como sou, resolvo mandar a tal da legislação:

"Infelizmente sua informação está equivocada.

Para todos os registros há a emissão do Comprovante de Exportação.

Todos os embarques tem a emissão do comprovante de exportação.

Notem fluxogramas claros e disponíveis no site da Receita Federal (disponíveis a qualquer pessoa) caso vcs precisem consultar:



Como nosso caso foi uma DSE, abaixo segue fliuxograma de despacho para uma DSE para que fique claro qual documento estamos falando:
Fluxograma do Despacho Simplificado de Exportação - DSE



Como complemento a essa informação, segue trecho extraído da Instrução Normativa SRF nº 28 de 27 de abril de 1994, sobre o comprovante de exportação:

"COMPROVANTE DA EXPORTAÇÃO

Art. 50. Concluída a operação de exportação, com a sua averbação, no Sistema, será fornecido ao exportador, quando solicitado, o documento comprobatório da exportação, emitido pelo SISCOMEX.

Parágrafo único. Nos casos em que a unidade da SRF de despacho for diferente da unidade de embarque, caberá à primeira emitir o documento de que trata este artigo.

Art. 51. Somente será considerada exportada, para fins fiscais e de controle cambial, a mercadoria cujo despacho de exportação estiver averbado, no SISCOMEX, nos termos dos arts. 46 a 49.

Parágrafo único. É irrelevante, para os efeitos deste artigo:

I - a simples apresentação de documentos fiscais e de embarque, não registrados no Sistema, mesmo que visados pela fiscalização aduaneira; e

II - a inexistência do comprovante de exportação, desde que sejam fornecidos aos órgãos e entidades competentes para efetuar a fiscalização e o controle dessas operações, os dados necessários à identificação do despacho averbado no Sistema."

Ressalto que, ainda a legislação traga que o Comprovante de Exportação é irrelevante se tivermos os documentos necessários à identificação do despacho , em nenhum momento a legislação traz que esse documento não é emitido ou não deve mais ser emitido. A emissão ou não dele fica a cargo do exportador que define as prioridades de sua empresa. Nesse caso EXIGIMOS o comprovante de exportação."   

Se vc trabalha em uma determinada área , não precisa ser PHd, ser Pós Doc, nem nada... Mas precisa, isso é totalmente imprescindível, saber os princípios básicos de sua área... 

No caso de comex, saber Incoterms, saber os documentos necessários para a saída do material, quais documentos são comprobatórios da efetiva exportação, como emiti-los é necessário.. não dá para ficar sem saber!

Enfim...já sabe! Se não tem conhecimento de algo de sua área vai correr atrás, descubra os princípios básicos da sua área, veja como estão seus conhecimentos e corra atrás de saber tudo que puder!!!

Aliás, segue abaixo o texto do site Aduaneiras que me inspirou nesse post:

INCOTERMS 2010 E SEU DESCONHECIMENTO
Autor(a): SAMIR KEEDI
Economista com especialização na área de transportes internacionais.

Temos, ao longo de nossa jornada de mais de quatro décadas em atividades de comércio exterior, notado e falado que muitos de nossos profissionais trabalham na área sem conhecer instrumentos importantes do nosso dia a dia. Entre os quais, pela sua enorme, reconhecida e fundamental importância, o Incoterms - International Commercial Terms, da CCI - Paris, cuja atual versão é a 2010, Publicação 715E.
Que é um conjunto de regras de entrega de mercadorias, e que define responsabilidades do vendedor e comprador. E que sempre dizemos que, mais do que qualquer coisa, é princípio de processo logístico. Quando se determina um Incoterms, de imediato se define a divisão da logística entre as partes. Sendo estas os custos e os riscos do processo. E quando se define antes as obrigações de um processo, de imediato já temos um Incoterms a colocar nele. Embora com algumas falhas, que poderiam ter sido ajustadas em 2010 e que, como representante brasileiro na sua revisão, não conseguimos, sendo voto vencido, sempre há um termo que cabe bem.
Obviamente, o Incoterms 2010 poderia ter sido melhor, mas, dentre as coisas que conseguimos encaixar, algumas outras não nos foi possível. Ficando para, quiçá, 2020. Uma delas foi a solicitação para inserção do termo CI - Cost and Insurance. Que, com três letras, para sua adaptação, poderia ter ficado, talvez, em C&I. Insistimos em todos os drafts, mas não foi aceito por Paris. Argumentamos o tempo todo que assim fecharíamos o quadro de possibilidades. Temos termo apenas para a mercadoria. Também para mercadoria e frete. Outro para mercadoria, frete e seguro. Com o C&I, teríamos também para mercadoria e seguro.
Mas, independentemente do que poderia ou não ter sido, temos o âmago da questão colocado, que é o seu desconhecimento. Em nossas aulas e palestras, sempre insistimos que é um livro a se ter, obrigatoriamente, em sua mesa de trabalho. Pois é o instrumento mais importante do comércio exterior, utilizado em praticamente todas as operações no mundo. Ele deve ser o livrinho - no bom sentido - de cabeceira dos profissionais, e presente em todas as empresas.
Quando perguntamos quem o tem, invariavelmente, para nossa sempre revivida surpresa, são poucos os profissionais ou empresas que respondem afirmativamente. Uma quantidade tão diminuta que nos leva a pensar como se pode fazer comércio exterior assim. Obviamente, não pode ser feito adequadamente, como já colocamos em nossos artigos, recentemente. Que o comex é uma questão de 1-99, ou seja, 1% dos profissionais sabe o que faz, enquanto 99% apenas fazem.
Assim, em virtude disso, vimos, de tempos em tempos, escrevendo sobre esse importante conjunto de termos e qual a sua importância. Sempre esperando ajudar os nossos profissionais no encontro dos caminhos para melhoria do nosso combalido comércio exterior. E é notório que ele é pequeno não apenas pelas condições de competitividade do nosso país, que é muito baixa, mas, também, pela qualidade dos nossos conhecimentos.
Nunca entendemos como alguém pode passar décadas nessa área, sem saber o que significa, detalhadamente, cada termo do Incoterms. Em especial, que é um instrumento criado em 1936, e já com sete revisões, estando, portanto, na sua oitava edição, e com quase 80 anos de idade. Já um respeitável "veinho", mas que não é respeitado (sic). Afinal, como é voz corrente hoje, sabe-se que o conhecimento humano, que já duplicou em milhares de anos, depois em centenas e dezenas, agora é duplicado a cada cerca de cinco anos. E o Incoterms é revisado, hoje, na média de dez anos.
E não só pelos profissionais de exportação e importação diretamente. Mas por todas as categorias, como despachantes, agentes de carga, prestadores de serviços em geral, RFB etc., etc., etc. Que, mesmo sem uma leitura acurada, se faz a interpretação. Como, por exemplo, considerar que o CFR, por ser custo e frete, e por mencionar o porto de destino, a interpretação imediata é de que a responsabilidade do vendedor é até o porto de destino. Tanto em custos, o que é verdade, quanto em riscos, o que não é o fato. Sempre insistimos que, assim como a Publicação 600 que rege a carta de crédito documentária, o Incoterms não se interpreta. Apenas se lê, nua e cruamente, e ponto-final.
Faremos um pedido especial, encarecidamente, a todos quantos atuam na área de comércio exterior, indistintamente, principalmente aos nossos profissionais de venda, compra e logística. Que tenham, em sua mesa de trabalho, o Incoterms. E que seja lido e pesquisado sempre. E em sua íntegra, pelo menos uma vez ao ano, o que é pouco, mas já é alguma coisa. Nosso país precisa disso e de atores à altura daquilo que poderemos ser, tão logo passe o sono e nos levantemos do berço esplêndido, sobre o qual estamos deitados há mais de 500 anos.

fonte: http://www.aduaneiras.com.br/noticias/artigos/artigos_texto.asp?ID=25251623&acesso=2

Um beijo grande!!!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Recursos externos e fator eleitoral animam mercado.

Circulam duas explicações para o surpreendente otimismo que tomou conta do mercado financeiro em março e fez a bolsa subir 7,05%, a maior alta mensal desde janeiro de 2012. Uma diz que a tendência resulta do ingresso de recursos estrangeiros no mercado doméstico, vindos, inclusive, da Rússia. Outra sustenta que o rebaixamento da nota de crédito brasileira pela Standard & Poor's não teve impacto e que as pesquisas mostrando queda na avaliação positiva do governo Dilma Rousseff entusiasmaram os investidores.
Pode haver um pouco de verdade em cada uma das explicações. Em março, até o dia 27, o saldo líquido do ingresso de recursos estrangeiros na Bovespa estava positivo em R$ 2,2 bilhões e, no ano, em R$ 2,6 bilhões. De outra parte, na avaliação de gestores ouvidos pelo Valor, o fator eleitoral entrou definitivamente no radar. A ponto de dar impulso geral na cotação das ações. Dos 73 papéis que compõem o Índice Bovespa, 60 subiram em março, com destaque para empresas estatais, como as elétricas Cesp (18,44%), Copel (18,06%) e Eletrobras (19,69%), além de Petrobras (16,11%). Enquanto isso, o real se valorizava. Em março, o dólar teve queda de 3,24%.
Há outras explicações para o bom humor. O aumento da Selic, que amanhã deve subir para 11%, beneficiou investidores de renda fixa e atraiu aplicações estrangeiras. E há fatores externos. Ontem, a presidente do banco central dos Estados Unidos, Janet Yellen, durante discurso em Chicago, disse que a economia americana precisará de suporte por mais algum tempo. Ela reforçou a ideia de que o mercado de trabalho nos EUA está longe de ser considerado saudável, o que requer a continuidade da política de estímulos monetários. Em resposta, as bolsas americanas subiram: o Dow Jones, 0,83%, e o Nasdaq, 1,04%.

Por Beatriz Cutait e Téo Takar | De São Paulo


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segunda-feira, 31 de março de 2014

Dólar caindo...


Posso estar enganada mas pelo que li me parece que o dólar continuará nesse mesmo patamar durante uns dias ainda... talvez seja mesmo a hora de pensarmos em hedges para as dívidas em dólares. Operações como 4131, ACC, FINIMPs....que tenhamos que pagar em US$ no futuro, pois hj temos o US$ a R$ 2,26 e o futuro para 2014 do US$ está previsto em R$ 2,45 .....


Parece que o fluxo de dólar no Brasil aumentou por conta de pesquisas eleitoriais que indicam a saída da Dilma....quem sabe!!! Até que não seria má idéia.... 

:: Algumas reportagens do Valor Econômico que achei bem interessantes::

Investidor se anima com piora de Dilma - Por Antonio Perez, Silvia Rosa e Téo Takar

Pela segunda semana seguida, o mercado comprou a versão de que a presidente Dilma Rousseff não se reelegerá neste ano. Depois dos boatos - que não se confirmaram - da pesquisa eleitoral do Ibope divulgada na semana passada, ontem o mesmo Ibope mostrou queda na avaliação do governo, para alegria dos investidores.
Segundo a pesquisa CNI/Ibope, a avaliação positiva do governo Dilma caiu para 36% em março, ante 43% em dezembro. A aprovação pessoal da presidente da República recuou para 51 %, de 56%. E cresceu a desaprovação à forma de combate da inflação. O dólar derreteu, os juros recuaram e a bolsa brasileira ignorou o clima negativo nos mercados em Wall Street e disparou, com os investidores tentando tirar o atraso do Ibovespa em 2014.
"Essa pesquisa foi uma surpresa, tendo em vista que, na pesquisa eleitoral divulgada na semana passada, Dilma não tinha perdido terreno para a oposição", aponta o economista sênior da INVX Global Partners, Eduardo Velho.

"A bolsa já vinha subindo graças à entrada dos  estrangeiros. Ao que tudo indica, daqui para frente, as  pesquisas eleitorais serão o grande indicador para o mercado, que alimenta uma perspectiva de vitória da oposição no segundo turno", afirmou Velho.

O Ibovespa subiu 3,50%, para 49.646 pontos, patamar que não era alcançado desde 1 6 de janeiro. O volume foi muito forte, de R$ 1 0,389 bilhões, quase o dobro de um pregão normal. Porém, ao contrário dos últimos dias, os estrangeiros figuraram na ponta vendedora, embolsando ganhos recentes. Com o avanço de ontem, a bolsa brasileira acumula alta de 4,8% nesta semana. No ano, a perda foi reduzida para 3,6%. 

Fatores técnicos acentuaram o processo de declínio das taxas. Tesourarias locais que mantinham aposta em alta dos juros longos com base na tese das fragilidades domésticas, como inflação alta e contas públicas em desordem, foram pegos no contrapé e dispararam ordens para limitar as perdas. Para Cristopher Garman, diretor para Mercados Emergentes e América Latina da consultoria de risco político Eurasia Group, uma vitória da oposição na eleição presidencial pode levar a uma forte valorização dos ativos domésticos.
A simples perspectiva de troca da equipe econômica já seria um passo fundamental para reconquista da credibilidade da gestão da contas públicas, afirma. "O governo atual se meteu em um buraco quando o assunto é credibilidade, com uso de truques contábeis e uma sinalização mista na gestão macroeconômica",diz. 
Enquanto os juros futuros longos despencaram, os contratos mais curtos desceram apenas um degrau. O DI para janeiro de 201 5 caiu de 1 1 ,1 5% para 1 1 ,1 4%. A leitura predominante do Relatório Trimestral de Inflação é de que o ciclo de aperto monetário continua, mas não v ai longe. "O BC deve subir a Selic em 0,25 ponto em abril [para 1 1 % ao ano] e deixar a porta aberta para a decisão de maio", disse Leal. (Colaboraram Lucinda  Pinto e Aline Cury Zampieri) 

Captações trazem pressão de baixa para o dólar - Por Silvia Rosa

A perspectiva de fluxo de recursos para renda fixa e de captações externas mantém a pressão de baixa sobre o dólar, que já acumula queda de 3,28% no mês.
Ontem, o Tesouro Nacional anunciou uma emissão de € 1 bilhão com vencimento em 2021 . Embora a operação não tenha impacto no mercado de câmbio, uma v ez que é repassada diretamente para o Tesouro, ela pode abrir caminho para outras emissões externas de empresas brasileiras. O frigorífico Minerva também captou US$ 300 milhões por meio de uma emissão de bônus perpétuos. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, informou ontem que o banco está em vias de levantar US$ 800 milhões por meio de empréstimos com bancos japoneses.
Com o dólar no patamar de R$ 2,26, os investidores discutem se o BC fará a rolagem integral do lote de US$ 1 0,1 48 bilhões em contratos de swap, que tinha vencimento previsto para 1 º de abril. Hoje o BC rola mais 10 mil contratos, restando US$ 2,648 bilhões a serem renovados. "Não há motivos para o BC fazer a rolagem integral e ele pode, dependendo do patamar do câmbio, reconsiderar as atuações por meio do programa de intervenção", diz Sidnei Nehme, diretor de câmbio da corretora NGO, lembrando que um patamar mais baixo do câmbio pode diminuir a atratividade para as aplicações em renda fixa. "Fica mais caro para o investidor estrangeiro aplicar em ativos no Brasil."
Para o economista da Tendências Consultoria, Felipe Salto, um câmbio mais baix o ajuda o BC no controle da inflação, mas deve ter um efeito de curto prazo, uma vez que a perspectiva continua sendo de desvalorização do real, dada a piora do balanço de pagamentos.
Para Salto, o câmbio ao redor de R$ 2,26 já estaria sobrevalorizado em relação ao câmbio de equilíbrio, que a Tendências calcula entre R$ 2,28 e R$ 2,30, o que diminui a competitividade da economia brasileira. A consultoria prevê o dólar a R$ 2,45 no fim de 2014.

Ótima semana a todos!!


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

BRASIL QUER SE TORNAR PARCEIRO ECONÔMICO DE PRIMEIRA ORDEM DE CUBA


A presidenta da República, Dilma Rousseff, destacou, nesta segunda-feira (27), durante a inauguração do Porto de Mariel, em Cuba, o desejo do Brasil em transformar-se em um parceiro de "primeira ordem" para o país do Caribe. Segundo Dilma, a iniciativa é o primeiro porto terminal de contêineres do Caribe, e conta com financiamento de US$ 802 milhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O investimento serviu para contratação de bens e serviços de 400 empresas brasileiras.
"O Brasil quer tornar-se parceiro econômico de primeira ordem para Cuba. Acreditamos que estimular essa parceira é aumentar o fluxo bilateral de comércio. São grandes as possibilidades de desenvolvimento industrial conjunto, no setor de saúde, e medicamentos, vacinas nos quais a tecnologia de ponta é dominada por Cuba. ( ) Queria aproveitar para agradecer ao governo e ao povo de Cuba pelo enorme aporte ao sistema brasileiro de saúde por meio do programa Mais Médicos", afirmou Dilma.
As obras de modernização do Porto de Mariel e sua estrutura logística exigiram investimentos de US$ 957 milhões, sendo US$ 682 milhões financiados pelo Brasil e o restante aportados por Cuba. Para aprovação do crédito, o BNDES acordou com o governo cubano que, dos US$ 957 milhões necessários, pelo menos US$ 802 milhões fossem gastos no Brasil na compra de bens e serviços comprovadamente brasileiros. "O financiamento das exportações para o Porto de Mariel gerou empregos e renda no Brasil. O dinheiro não saiu do país e serviu para a contratação de bens e serviços de 400 empresas brasileiras", disse o ministro Fernando Pimentel, presidente do Conselho de Administração do BNDES.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

SUPERÁVIT DE US$ 383 MILHÕES.

Data da Notícia: 16/12/2013
SEGUNDA SEMANA DE DEZEMBRO TEM SUPERÁVIT DE US$ 383 MILHÕES
Com cinco dias úteis, a segunda semana de dezembro teve exportações de US$ 4,896 bilhões e importações de US$ 4,513 bilhões, resultando num saldo comercial positivo de US$ 383 milhões. No período, as vendas externas brasileiras registraram média diária de US$ 979,2 milhões, o que representa um crescimento de 16,9% em relação ao registrado na primeira semana do mês (média de US$ 837,6 milhões).
Houve aumento de 21,5% nas exportações de manufaturados, com destaque para as vendas de aviões, automóveis de passageiros, veículos de carga, autopeças, tratores e máquinas para terraplanagem. Os produtos básicos também registraram crescimento de 20,2% das exportações, por conta, principalmente, de minério de ferro, petróleo em bruto, farelo de soja, carne de frango e café em grão.
Nas importações, pela média, houve crescimento de 1,1% em relação à primeira semana do mês (de US$ 892,6 milhões para US$ 902,6 milhões). Foram registrados aumentos dos gastos com combustíveis e lubrificantes, equipamentos mecânicos, plásticos e suas obras e instrumentos de ótica e precisão.
Mês
Nas duas primeiras semanas de dezembro, com dez dias úteis, a balança comercial brasileira registrou exportações de US$ 9,084 bilhões (média diária de US$ 908,4 milhões) e importações de US$ 8,976 bilhões (média diária de US$ 897,6 milhões), com saldo positivo de US$ 108 milhões (média diária de US$ 10,8 milhões).
Comparadas as médias das exportações das duas primeiras semanas de dezembro deste ano (US$ 908,4 milhões) com a de dezembro de 2012 (US$ 987,4 milhões), houve queda de 8% nas exportações. O motivo foram as retrações nas vendas das três categorias de produtos. Os básicos tiveram queda de 15,6% , por conta, principalmente, de algodão em bruto, café em grão, petróleo em bruto, milho em grão, carne de frango e suína, e minério de ferro. Os semimanufaturados registraram diminuição de 2,2%, causada, principalmente, por açúcar em bruto e ouro em forma semimanufaturada. Nos manufaturados, houve queda de 1,7%, em razão de óleos combustíveis, bombas e compressores, açúcar refinado, autopeças, laminados planos, óxidos e hidróxidos de alumínio e pneumáticos.
Em comparação com novembro deste ano (média de US$ 1,043 bilhão), o resultado médio diário das exportações nas duas semanas de dezembro (US$ 908,4 milhões) caiu 12,9% com retração nas compras de manufaturados (-17,8%) e básicos (-14,2%), enquanto que as exportações de semimanufaturados aumentaram 7,9%, no período.
As importações, no comparativo com a média de dezembro de 2012 (US$ 875,3 milhões), tiveram crescimento de 2,6% (US$ 897,6 milhões) com aumento de gastos com produtos farmacêuticos (+31,4%), siderúrgicos (+28,9%), aparelhos eletroeletrônicos (+27,1%), plásticos e obras (+23,6%), equipamentos mecânicos (+16,6%) e instrumentos de ótica e precisão (+8,8%). Já em relação à média de novembro último (US$ 956,1 milhões), as compras externas brasileiras tiveram queda de 6,1%. Houve redução de importações de combustíveis e lubrificantes (-36,5%), químicos orgânicos/inorgânicos (-19,1%), aparelhos eletroeletrônicos (-11,2%), siderúrgicos (-2,8%), veículos automóveis e partes (-2,5%) e plásticos e obras (-2,5%).
Ano
No acumulado do ano (242 dias úteis), a balança comercial brasileira tem exportações de US$ 230,416 bilhões e importações de US$ 230,401 bilhões, com superávit de US$ 15 milhões. Pela média diária, as vendas externas de janeiro até a segunda semana de dezembro (US$ 952,1 milhões) tiveram queda de 1,6% em relação ao mesmo período do ano anterior (média diária de US$ 967,2 milhões). No mesmo período, a média diária das importações cresceu 6,7% (de US$ 892,6 milhões em 2012 para US$ 952,1 milhões em 2013). A corrente de comércio, que totaliza US$ 460,817 bilhões, registra crescimento de 2,4%, pela média (de US$ 1,859 bilhão para US$1,904 bilhão).

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A ALIANÇA DO PACÍFICO E SEU IMPACTO NO BRASIL


A nova Aliança do Pacífico, acordo entre Colômbia, Peru, Chile e México, surge em um momento decisório importante para o Itamaraty. O mundo avança em acordos bilaterais, enquanto a Rodada de Doha permanece paralisada e a OMC continua com os diálogos de suas comissões e resolvendo casos em seu tribunal de disputas comerciais. O Mercosul anda lentamente, tentando resolver os diversos problemas que atrapalham o comércio interno, especialmente entre o Brasil e a Argentina. A Aliança, por outro lado, avança rapidamente em suas negociações e tem chamado muita atenção. No entanto, o impulso para as negociações comerciais do Brasil e do Mercosul não deve vir da Aliança do Pacífico, pois, em termos de comércio, se trata somente de uma nova roupagem para uma situação já existente.
O interessante da Aliança do Pacífico são os outros temas negociados pelos quatro países latinos. Apesar de o comércio intrarregional entre os países ter grande potencial para crescer, já que atualmente representa somente 6% de todo seu comércio, o corte tarifário será residual, pois todos os quatro já possuem acordos bilaterais de comércio entre si (por parte da Associação Latino-Americana de Integração - Aladi). Trata-se somente, como o ex-ministro Antonio Patriota disse, de um "êxito de marketing". Por outro lado, regras de compras governamentais, movimentação de profissionais, parcerias em educação, serviços, investimentos e facilitação do comércio estão sendo negociados com admirável velocidade. O CEO Summit, organizado pela Aliança em 25 de setembro em Nova Iorque, reuniu os quatro presidentes latinos e empresários de muitas empresas norte-americanas, dando início a vários novos projetos de investimentos nos quatro países latinos.
Enquanto o Itamaraty acerta ao dizer que o Mercosul é uma instituição maior, com objetivos de integração profunda, o ministério erra ao descartar o que está ocorrendo na Aliança do Pacífico por essa mesma razão. Os temas não comerciais são justamente aqueles que têm maior potencial para trazer ganhos econômicos para o Brasil e o Mercosul no médio e longo prazos. O mundo todo já está percebendo que duas áreas terão maior impacto nas economias: os novos assuntos das negociações comerciais (como regras de investimentos, propriedade intelectual e serviços) e a integração às cadeias globais de valor.
Os novos acordos comerciais visam justamente a tratar dessas duas áreas, como é o caso do Trans-Pacific-Partnership (TPP) ou o novo acordo União Europeia-Estados Unidos (TIPP).
A alternativa para o Mercosul de não participar dessa nova tendência não parece promissora. O aumento no comércio intrarregional está se nivelando e chegando ao seu pico, tendo aumentado bastante desde a criação do Mercosul.
A Argentina continua criando barreiras comerciais aleatoriamente e seu governo não mostra nenhum sinal de mudança. O Paraguai e o Uruguai continuam insatisfeitos e reclamam que não são ouvidos nas negociações. Os outros aspectos do acordo, como o tribunal regional de comércio, a livre movimentação de pessoas, cooperação em educação e acordo em serviços, não têm tido grande sucesso e suas negociações se arrastam vagarosamente. A integração física, isto é, de logística, é complexa devido à dimensão do Brasil: a integração melhorou entre o Sul do Brasil e os outros países do Mercosul, mas a logística até o Sudeste continua complicada; a integração terrestre com a Venezuela enfrenta diversos problemas e não deve receber investimentos. Assim, sem uma mudança radical na estrutura e ambição do Mercosul, os objetivos e benefícios da união aduaneira ficarão esgotados em breve.
Diante desse contexto, cabe ao Itamaraty avaliar com cuidado como deseja beneficiar a economia brasileira em termos de relações econômicas internacionais. Uma integração na cadeia global de valor para setores-chaves da economia parece mais promissora do que a atual estagnada política comercial brasileira. O setor privado já está mostrando interesse em participar das negociações internacionais, como tem sido recentemente com as negociações UE-Mercosul. Boa parte da indústria brasileira sabe da importância e dos benefícios de se integrar às cadeias globais de produção e já está pleiteando essa postura ao governo. Parece-me que chegou o momento de o Itamaraty enxergar a realidade econômica internacional, dialogar com o setor privado e começar a negociar acordos comerciais.

Autor(a): SAULO PIO LEMOS NOGUEIRA
Consultor de Relações Governamentais e Comércio Internacional
Data do Artigo: 2/12/2013
Fonte: www.aduaneiras.com.br

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